Quando vejo que os números de cliques de uma campanha caíram, logo lembro das tantas vezes em que gestores se preocupam somente em voltar ao volume anterior, sem pensar nas causas. Mas, como aprendi ao longo dos anos ajudando negócios digitais a crescerem, a queda de cliques vai muito além da vaidade. Menos acessos significa menos chances de conversão e espaço livre para concorrentes disputarem o mesmo público que deveria chegar até você.
Não faltam evidências: enquanto líderes de mercado do e-commerce mostram uma taxa média de conversão entre 2,5% e 3% em lojas Shopify, estudo recente da Littedata apontou apenas 1,4% de CTR nessa mesma plataforma. Já dados da Wordstream, via LocaliQ, mostram um CTR médio de 6,66% na busca, considerando todos os setores. Olhando para esses percentuais, basta um pequeno recuo no número de cliques para que todo o funil de vendas fique comprometido. E cá entre nós, como já compartilhei em outros conteúdos como este artigo sobre CTR, conversão só existe porque houve interesse e clique antes.
Menos cliques = Menos vendas potenciais. Simples assim.
Entendendo o CTR: mais que um indicador de vaidade
Antes de partir para as causas do problema, quero esclarecer um ponto que sempre surge entre equipes de marketing: CTR (Click Through Rate) é a métrica que mostra quantas pessoas clicaram no seu anúncio em relação às vezes que ele foi exibido. O cálculo é bem simples:
- CTR = cliques ÷ impressões
Imagine um anúncio exibido 1.000 vezes, com 50 cliques recebidos. O CTR é de 5%. Parece pouco, mas em um cenário médio, já mostra relevância para o Google e equilíbrio entre o anúncio, palavra-chave e página de destino. Esse indicador serve como termômetro da saúde da sua campanha, revelando se sua estratégia está competitiva, relevante e conectada com orçamento e lances.
Se quiser se aprofundar mais no papel do CTR no contexto das estratégias digitais, recomendo a leitura do meu artigo sobre o que é CTR.
Por que queda de cliques é tão grave?
Durante meus anos como CMO da Selia Full commerce, vi o impacto direto que uma redução nos acessos pode causar: não apenas corta as vendas de hoje, mas também prejudica retargeting, remarketing e o aprendizado das futuras campanhas. Analise comigo: se a taxa de conversão média é de 2,5%, cada clique perdido tira seu negócio da possibilidade de atingir aquele lead que fecharia a compra.
Essa não é só minha opinião, é lógica pura. Quando os cliques diminuem, o orçamento gasto deixa de trazer resultado, sua marca aparece menos e, como consequência, sua presença digital perde força – principalmente no e-commerce, onde visibilidade é tudo.
Quais os quatro principais motivos para a queda de cliques?
Vamos direto ao ponto. O segredo é não entrar em pânico, mas tratar a queda como um diagnóstico. Aqui estão as causas que mais encontro ao auditar campanhas – e as ações práticas para cada cenário.
1. Queda do Quality Score (índice de qualidade)
O Quality Score é um componente que avalia o quão relevante e útil seu anúncio é para a busca do usuário. Quando ele cai, o anúncio aparece menos (ou nem aparece), e o custo do clique sobe. Sempre digo que, antes de mexer em lances, olhe para estes fatores:
- Revise grades das palavras-chave: use termos realmente buscados pelo público.
- Verifique a relevância entre texto do anúncio e palavra-chave.
- Cheque o CTR esperado: histórico conta bastante para o Google.
- Avalie a página de destino. A experiência pós-clique é parte do Índice de Qualidade.
Melhorar esses pontos faz diferença não apenas nos cliques, mas também na qualidade de quem chega até você. Foi exatamente seguindo esse roteiro que ajudei a recuperar campanhas para grandes marcas em momentos de queda súbita.
2. Baixa de impressões
Seus anúncios aparecem menos, é natural que os acessos diminuam. Causas comuns:
- Sazonalidade – datas comemorativas, férias ou crises externas sempre mexem na demanda e busca.
- Mudanças na estratégia de lances – desalinhamento entre orçamento diário e objetivos de CPA, ROAS ou CPC.
- Palavras negativas em excesso ou conflito na lista. Muitas exclusões podem barrar exibições úteis.
Nesse caso, minha sugestão é revisar a lógica de seleção de palavras e garantir que orçamento e meta de performance estejam alinhados. Ferramentas do próprio Google ajudam a identificar conflitos em palavras negativas.
3. Troca recente de anúncios
Uma clássica: alterou criativos ou ativou novos grupos de anúncios e, logo em seguida, percebeu instabilidade nos resultados. Isso acontece porque novos anúncios entram em uma fase de aprendizado do algoritmo, o que pode gerar volatilidade.
- Evite pausar todos os anúncios antigos de uma vez só. Mantenha teste A/B: deixe novos rodando junto com os antigos até identificar o melhor desempenho.
- Não espere estabilidade imediata. O algoritmo precisa de algum tempo para calibrar.
Já tive campanhas que, por ansiedade, trocaram todos os criativos e viram o volume desabar. O segredo é ter disciplina no processo de teste, sempre documentando o que muda, por quê, e quais resultados espera extrair.
4. Concorrência mais agressiva
Nem sempre a resposta está na própria campanha. Quando outras empresas aumentam lances (CPC) ou investem pesado em promoções e criativos chamativos, seus cliques podem cair.
- Acompanhe a concorrência na ferramenta de visualização de anúncios. Veja quem aparece acima.
- Reavalie os textos: enquadre sua oferta de modo mais atrativo.
- Use extensões de anúncio para ampliar sua presença e tornar o anúncio visualmente mais robusto.
- Considere ajustar lances para garantir pelo menos a parte superior da página em momentos estratégicos.
Lembro de um caso em que, após analisar concorrência, ajustei uma simples frase no anúncio e adicionei uma extensão de oferta temporária. Em dois dias, o volume de cliques saltou, sem precisar subir drasticamente o lance.
Checklist: Como reagir à redução de cliques
Para manter o controle – e a calma –, sempre recomendo este roteiro mental:
- Se o problema for Quality Score: mire no CTR esperado e garanta alinhamento claro entre palavra-chave, anúncio e landing page antes de mexer em lances.
- Se for queda de impressão: cheque orçamentos, programação do anúncio e palavras negativas.
- Se trocou anúncios recentemente: volte a fazer testes A/B e acompanhe os dados antes de decisões drásticas.
- Se for “culpa” da concorrência: ajuste mensagem e oferta, assegure todas as extensões disponíveis e monitore de perto o ambiente.
O objetivo nunca é voltar ao volume anterior apenas por vaidade, mas sim retomar a qualidade na visibilidade – aquela que realmente pode converter. No universo de diagnóstico rápido, agir intencionalmente faz toda a diferença, e foi essa abordagem que levou clientes, pequenos e grandes, a retornarem ao crescimento.
Conclusão: Clique como janela para conversão
Em todo projeto, como na Selia Full commerce ou nos clientes que assessoro diretamente, insisto para que empresas e profissionais enxerguem a redução dos cliques não como derrota, mas como convite à investigação. Corrigir cedo significa economizar, aprender e voltar a crescer. Se você sentiu na pele o impacto desse problema, talvez seja hora de analisar seu funil de conversão com rigor, pois cada clique perdido abre espaço no mercado.
Para dar o próximo passo rumo a campanhas mais inteligentes e resultados consistentes, recomendo entender melhor como o funil de conversão eficiente pode transformar sua estratégia. Se quiser um diagnóstico especializado, conheça nossos serviços e veja como posso ajudar você a superar desafios usando análise, criatividade e experiência prática.
Perguntas frequentes sobre queda de cliques
O que causa a queda de cliques?
Entre as principais causas estão queda no Quality Score, redução nas impressões por consumo do orçamento ou excesso de negativas, mudanças recentes nos anúncios (entrando em fase de aprendizado) e movimentos da concorrência com lances mais altos ou ofertas mais atraentes. Alterações sazonais e mudanças na demanda do público também influenciam bastante.
Como identificar a queda de cliques?
Costumo monitorar diariamente o CTR, volume absoluto de cliques e impressões, além de checar a relação entre orçamento, gasto e resultados. Comparações semanais e mensais ajudam a ver quando algo foge do padrão. Ferramentas como relatórios do próprio Google Ads tornam simples perceber essas variações.
Quais são os sinais de menos cliques?
Volume menor de acessos no site, queda na taxa de conversão, diminuição de leads e vendas diretas são sinais práticos. Outro alerta é quando os gráficos de impressões ficam estáveis, mas o CTR e os cliques caem – isso indica problemas no anúncio ou na oferta.
Como recuperar o volume de cliques?
Recomendo seguir um checklist: revise Quality Score, alinhe palavras-chave, confira a experiência da landing page, teste anúncios antigos vs novos, ajuste lances e observe a concorrência. Em muitos casos, pequenas intervenções – como atualizar o texto do anúncio ou remover negativas em excesso – trazem de volta bons resultados.
Vale a pena pausar anúncios com poucos cliques?
Nem sempre é indicado pausar imediatamente anúncios com poucos cliques, pois o contexto precisa ser analisado: se o CTR está baixo, teste melhorias antes de pausar. Se a campanha apresenta histórico ruim e não gera resultados após múltiplos testes, aí sim pode ser mais eficiente dar espaço a novos criativos ou segmentações.

